terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tratamento de linfoma não é garantido pelo SUS

Para os doentes de linfoma, tipo de câncer que atinge o sistema imunológico, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar que a doença se agrave e cause a morte. Mas os medicamentos que aumentam a chance de cura de 40% para 85%, os anticorpos monoclonais, não são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) está coletando assinaturas para enviar ao Ministério da Saúde um pedido para ampliar as verbas para o tratamento. A consulta continua até amanhã pela Internet e nas unidades de saúde que tratam de câncer em Fortaleza.

Entre os principais pedidos do manifesto, estão o aumento do número de leitos para transplante de medula óssea e a atualização dos valores repassados pelo Ministério da Saúde aos hospitais que realizam os procedimentos de tratamento dos linfomas, destaca a coordenadora da Abrale em Fortaleza, Adelane Araújo. ``O número de casos tem crescido 4% ao ano, principalmente entre jovens. Mas o valor repassado pelo SUS para os procedimentos complexos é o mesmo há 10 anos``, pontua a professora de hematologia do departamento de medicina clínica da Universidade Federal do Ceará, Paola Torres. Atualmente, é preciso recorrer à Justiça para ter o tratamento custeado pela rede pública.

Linfomas são tipos de câncer que afetam o sistema linfático e deixam o paciente enfraquecido e mais sensível a infecções. As células de defesa (glóbulos brancos) adoecem e se agrupam, formando tumores e causando inchaço dos linfonodos, que são os gânglios linfáticos, popularmente chamados de ``landras``. O sintoma mais comum é o inchaço indolor dos gânglios, às vezes associado à perda de peso e febre sem motivo. Há 35 tipos, classificados como linfoma de Hodgkin, que pode atingir jovens de 20 a 30 anos; e não-Hodgkin, que corresponde a 80% dos casos e atinge pacientes mais idosos. Este foi o tipo que acometeu a ministra Dilma Roussef.

A abordagem terapêutica é feita por quimioterapia, às vezes associada à imunoterapia, durante seis a oito meses em média. Em casos mais complexos, o transplante de medula óssea é indicado. É uma doença grave, mas com boas chances de cura se for descoberta e tratada no início. O tratamento é tranquilo``, avalia o médico hematologista Emmerson Eulálio, do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce). Os especialistas reforçam que os profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais de suspeita e pedir exames específicos ao paciente.

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