
Era para ser uma festa de arromba. Uma superprodução que demandou trabalho redobrado de toda a equipe que trabalha com o exigente Roberto Carlos. A expectativa do público, de mais 70 mil pessoas, entre pagantes e convidados, correspondia à solenidade da ocasião, digna do maior astro pop da história da música brasileira. Mas a grande comemoração de seus 50 anos de carreira, sábado (11) à noite no Maracanã, quase foi por água abaixo. A chuva pesada que caiu por volta de 22h45, com cerca de uma hora de show, fez debandar muita gente que estava perto do palco, na área reservada aos convidados da Rede Globo de Televisão, que promovia o evento e o transmitiu quase ao vivo, com retardo de cerca de 15 minutos, tempo reservado para reparar possíveis falhas.
Contrariado, Roberto interrompeu o show - que está previsto para sair em DVD este ano - por dez minutos, trocou algumas palavras com o maestro Eduardo Lages e resolveu sair do palco. Foi um desapontamento geral. O público de Roberto é fiel até debaixo d’água e a maioria não arredou pé do estádio. Aos gritos de "ei, ei, ei, Roberto é nosso rei", "por que parou, parou por que?", "Roberto Carlos, cadê você, eu vim aqui só pra te ver", pediam a volta do cantor, temendo a suspensão definitiva do show. Da cobertura do palco, em forma funcional
concha acústica, caíam cascatas sobre as caixas de som.
Com a galera debaixo do aguaceiro, Roberto voltou e continuou. Na plateia vip ninguém mais ficou sentado nas cadeiras. A organização foi pelo ralo. Melhor para os fãs mais devotados, que puderam chegar bem perto do palco, dando muito trabalho aos seguranças. Uma delas foi Fafá de Belém, que resistiu bastante tempo na fila do gargarejo, sorrindo e cantando tudo com o Rei. Como é típico nesses episódios, o contratempo provocou reação contrária. Como que para compensar o desconforto geral, parte do público parecia mais receptiva do que antes, mais calorosa.
Engraçado que a chuva, que quase não deu trégua até o fim do show, já tinha aparecido em letras de duas canções - "Os Seus Botões" ("Chovia lá fora e a capa pendurada") e Caminhoneiro ("Peguei chuva e cerração/ Quando chove o limpador desliza...") -, provocando óbvios sorrisos de ironia. Quando Roberto (com Erasmo) a menciona pela terceira vez, em "Sentado à Beira do Caminho" ("Vem a chuva, molha o meu rosto, então eu choro tanto/ Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva/ Se confundem com meu pranto") o Maracanã se comove.
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